sexta-feira, 11 de maio de 2012

HOMENAGEMS ÀS NOSSAS MÃES



   Este espaço é para homenagearmos àquela que com seus exemplos, nos ensinou tudo que sabemos.
Para homenagear a minha mãe, vou tentar contar, um pouco, da história de vida dela. Se você quiser homenagear  sua mãe neste espaço, me envie texto ou foto que publicarei com prazer. 
( anetecarvalhoprod@gmail.com )


                                    SIMPLESMENTE MARIA


    Ela não é uma Maria qualquer... talvez uma "Maria vai com as outras"... Vai com as outras que assim como ela usaram de fé e sabedoria divina para sobreviver e criar seus filhos. A Maria que descrevo neste texto é mais uma heroína entre tantas "Marias" que conhecemos e admiramos.
   
   MARIA JOSÉ, casou-se aos quatorze anos com Lucas Tomaz, ele aos dezoito anos, na cidade de Dores do Indaiá, interior de MG. A vida simples e trabalhosa veio acompanhada dos hábitos de Lucas em reunir os amigos para noites enfiadas de truco, regadas à muita bebida e galinhadas  que ele exigia que Maria cozinhasse para os companheiros madrugada à dentro; O que ela, humildemente, obedecia. 
  
  Logo vieram os primeiros dos 12 filhos e, com eles, as dificuldades. Lucas acreditava que viver bem era viver e trabalhar na roça e considerava os companheiros de farra, sua família. Os filhos deveriam também, "pegar na enxada" e eram empecilhos, pois atrapalhavam a dedicação exclusiva dela à ele. No entanto, Maria acreditava que os filhos deveriam estudar e buscar uma vida melhor. Assim, foi matriculando, um a um, em escolas na cidade e isso iniciou mais uma desavença entre os dois. Muitas vezes resultava em violência física, contra ela e os filhos. Apesar da violência, ela o servia e nunca reclamava, costumava dizer que estava cumprido sua missão e por isso, servindo à Deus

    A distância entre a fazenda e a cidade era estimada em 10km. Eram muitos filhos e um par de sapatos tinham que servir para muitos. A ponte na entrada da cidade era o ponto de  encontro onde aquele que estudava pela manhã tirava os sapatos para aquele que estudava a tarde, lavar os pés no riacho e calçar.

    Não tinham moradia certa, por vezes eram donos de propriedades e por outras, graças ao prazer que Lucas tinha em ajudar os amigos, perdiam tudo e não tinham nem onde morar, passando a viver e trabalhar em fazendas da região. O  alimento que tinham era o cultivado por ela... frequentemente mudavam de um lugar para outro mas ela, em silencio, formava a horta, criava galinhas, engordava porcos e construía o forno de barro com entulhos, sobras de tijolos, e para rebocar, esterco de gado com cinzas. Uma obra-prima!


   
   Em meados de 1970, Lucas descobriu que um "cumpadre" estava morando na cidade de Unaí, no norte de Minas (cerca de 560km de Belo Horizonte), e resolveu mudar-se com a família para cidade. Contratou a mudança com um caminhoneiro que transportava gado e seguia por aquelas bandas. Embarcou com Maria, grávida do décimo terceiro filho (que veio a falecer pouco depois por conta da viagem), seis dos doze filhos, (os outros seis ficaram estudando e trabalhando em Belo Horizonte), um cavalo, um boi premiado que era seu xodó e a "mobília". A viagem foi muito conturbada e se arrastou por dias.
    
   A cidade havia sido fundada há pouco tempo, era inverno e as ruas eram verdadeiros atoleiros de poeira fina e vermelha como "pó de arroz", que encobriam as pernas quase até os joelhos. A primeira parada foi no sítio de um conterrâneo, que acolheu a família temporariamente. Posteriormente foram várias mudanças até a definitiva.
   
   Foi nesta realidade, que ela usou e abusou de sua fé e sabedoria para vencer e ver todos os filhos vivos e bem. Sua principal missão era fazer com que as dificuldades e violências não resultassem em traumas futuros para os filhos. A tática usada por ela foi plantar a união e o amor no coração de cada um, formando assim uma fortaleza inabalável. Lavava roupas pra fora, fazia doces para vender, cuidava da casa e fazia as roupas de toda família usando sobras de retalhos que a filha mais velha, costureira em Belo Horizonte, lhe enviava; Os modelos eram copiados das vitrines das lojas quando vinha à BH visitar os outros filhos.
Tarefas cumpridas e ainda encontrava tempo para fazer bonecas de pano, vacas de mamonas, pioras, piões, recortes de papel, entre outras brincadeiras. 
As vezes faltava alimentos e para distrair os filhos quando a fome apertava usava a criatividade e fazia de um ovo um verdadeiro banquete! Juntava os filhos ao seu redor e em um prato " esmaltado", batia a clara em neve até atingir uma consistência que, virando o prato para baixo, não caia o conteúdo. Essa "guloseima" foi batizada "paque-paque" levando em conta o som tirado pelo atrito entre o garfo e o prato. A criançada vibrava com o espetáculo e não percebia a intenção da mãe em "despistar "a fome. Em seguida, acrescentava-se açúcar e farinha, qualquer uma, a que tivesse, e dava as "garfadas" na boca de cada um. Durante todo este processo ela aproveitava a quietude da turma para contar histórias que resultavam em sucessos aflorando assim a esperança e o desejo de lutar no coração de cada um.
        
    Após todos filhos voltarem para Belo Horizonte acolhidos pelos mais velhos,o casal acabou retornando  também. O exemplo dela, foi fundamental para a construção de pessoas íntegras e vencedoras.

   Seu marido faleceu há 6 anos, cuidado por ela e os filhos até o último momento. Ela, hoje aos seus 88 anos, com marca-passo no coração, mas com os cabelos negros naturais, ainda dirige nossa família. Maria não construiu nenhum patrimônio, mas comemora a vitória e a certeza de dever cumprido, celebrada pela grande família com os 12 filhos 34 netos 16 bisnetos e 1 tataraneto. Essa família é, com certeza, fruto de seu investimento e sua melhor recompensa!
Seu exemplo, com certeza, passará por muitas gerações!
Obrigada,mamãe!!!

 Olha ela aí com seus 12 filhos!
 
  

 Luz na passarela que lá vem ela!





                             


3 comentários:

  1. Tua mãe é uma rainha !
    Um exemplo de amor aos filhos.
    E te digo de coração, amiga:

    Tua mãe é linda !

    Um beijo

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  2. Vida longa para a sua mãe ! um belo e representativo texto de amor filial

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  3. Muito obrigada, Antonio Carlos!
    Um elogio vindo de você que é expert no assunto, é uma honra.
    Um grande abraço,
    Anete Carvalho

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